sexta-feira, 23 de março de 2007

- Hoje alguém me disse uma coisa e parei,pensei...Será que é verdade?Bem,não sei.Ainda ando confusa.

Melinda párou pensativa no sinal de trânsito.Estava atrasada.Mas o que importa?Queria mesmo ficar absorta em seus pensamentos.Aliás,bem confusos,como ela mesma disse.Há dias martelava em sua mente o que ouvira de um estranho.É,porque alguém que ela mal conhecia ,de uma sala de bate-papo, não poderia ser a pessoa mais indicada para lhe falar aquilo.Por isso se mantinha inquieta,pés balançando o tempo todo.E a alma em pranto.

Sinal verde. Melinda começou a andar,vagarosamente,como se estivesse em transe.Queria chegar rápido.Seu lado racional pedia isso,seu patrão exigia isso!Mas não.Melinda procurou o caminho mais longo até o trabalho.Queria ficar sozinha com seus pensamentos.Aliás,precisava pensar,precisava mudar logo sua visão de mundo.Será que seria isso mesmo?Havia acabado de perder todo o dinheiro da venda de um apartamento de luxo que herdara de um avô.Só não se queixava muito porque esse avô nunca fora um homem presente eu sua vida.Ganhara o bem mediante ordem judicial.Então,perder ou não não vinha ao caso.Estava vivendo muito bem sem ele até aquele momento em que adentrou o belo portão eletrônico de entrada do condomínio naquele 24 de dezembro.Cumprimentou docemente o porteiro que,de forma um tanto desconfiada e ríspida,como quem teria um reizinho na barriga, apenas balançou a cabeça, em sinal de poucos amigos.Será que a roupa não era adequada para os moradores daquele belo prédio luxuoso? Melinda se sentiu amedrontada. O muito que já havia sentido,em termos de preconceito, foi quando esteve no aniversário de um tio de um ex-namorado.É, não sabia que seria tão luxuosa a festa e não reparou o convite que pedia black-tie.Chegou de vestidinho até o joelho.O que salvava era um certo brilho,que nem gostava tanto,mas a mãe disse que era necessário.Assim,na recepção,sentiu certo desconforto quando um segurança,ainda na portaria, pediu que se dirigisse até a porta à esquerda e que rapidamente trocasse de roupa, porque os convidados não podiam esperar.

Pergunta-se: onde estava o namorado?Já estava na festa.Marcaram de se encontrar por lá.Não se encontraram.Nunca mais Melinda o viu.Ela é o tipo de pessoa orgulhosa ao extremo.Também pudera...escorpiana.Nunca acreditei nisso,mas dizem que o escorpiano tem dessas coisas.Mas retornando, Melinda se sentiu ofendida.

-Como pode isso,um porteiro me olhar com desdém como se a roupa determinasse a riqueza de alguém?Será por isso que tudo é caro em shopping?Todo mundo,de certo modo,sempre vai arrumadinho pro shopping! -pensou ela, na época.

Mas a narrativa não pára por aí.Aquele apartamento,com toda suntuosidade, era o resumo de um mundo que Melinda não queria.Sabia que iria se irritar rapidinho se continuasse com ele.Dada a festas,as mais exuberantes e barulhentas, não se sentiria bem vendo todo mundo,no dia seguinte, olhando-a com certo desprezo e arrogância.Decidiu então,sem pestanejar,que faria dinheiro daquilo tudo.E não deu outra: em menos de dois meses estava com o dinheiro nas mãos.Mas sua saga apenas estava começando.Já que não poderia dispensar o que herdara - a necessidade falava mais alto-, tratou logo de comprar um carro pra trabalhar. Como tinha que pegar duas conduções diárias, resolveu mudar de localização também.Buscou um bairro tradicional,perto do trabalho.Tudo ia bem,até que uma tia,irmã de sua mãe, precisava de uma quantia razoável para sair do sufoco.Boba que só, emprestou o dinheiro.Meses depois descobriu que tudo foi pelo ralo em jogatinas.Ninguém sabia,mas a tia era compulsiva por jogos.Só saia de um cassino após perder as calças,literalmente.

Sem entrar no mérito,Melinda,finalmente perdera tudo,restando somente um carro,uma casa e contas a pagar.Porém, aquele dia algo lhe intrigava. O caminho mais longo até o trabalho ficava cada vez mais curto.Brecou.De frente,já no quarteirão do prédio onde religiosamente batia seu ponto às 8 horas, desceu correndo e encontrou uma lan house.E, finalmente,viu a oportunidade bater a sua porta.Queria encontrar aquele estranho.Mas,para seu desespero,não sabia onde encontrar...Esquecera em qual sala de bate-papo.Era distraída,não podia esquecer disso.Agora,cabisbaixa,entrou no carro e seguiu pro trabalho.O dia estava apenas começando.

Desestruturou toda a sua rotina.Mas tudo bem,pelo menos descobriu que na rua que escolhera para ir pro trabalho naquele dia, havia uma excelente sorveteria que tinha seu sorvete favorito.É, de açaí.E um leve sorriso de canto de boca era o prelúdio de que nem tudo estava perdido...

...

2 comentários:

Evandro disse...

amorr, eu li já... gostei, amor.

gostaria de comentá-lo quando estiver on line, tá? notei umas coisas nele rsrs. (e particulares para nós rsrs)

te amo. beijos enormes, meu tudo

luiz disse...

olha só, que massa! finalmente uma ficção sua!

pois é, aí vai uma crítica resumida, porém honesta, do fundo do meu coração: tá bom o texto, uma coisinha ou outra destoante, mas tá bom no geral, principalmente esse uso do discurso indireto livre lá pelo começo, bem envolvente...

Agora sim o fã chato vai continuar chato rsrs. Adoraria ler mais e mais, viu?

Keep Walking (Keep Writing)
Beijos