quinta-feira, 29 de março de 2007

Enquanto isso, navegando eu vou
Sem paz
Sem ter um porto

Quase morro, sem um cais
E eu nunca vou te esquecer, amor
Mas a solidão deixa o coração
Neste leva-e-traz

marcelo camelo- veja bem,meu bem

Era uma bela tarde de outono.Catherine entrou aos prantos em casa.Era uma casa grande,de alvenaria.Sabe essas casas de fazenda,com grandes alpendres que circundam toda a extensão da área?Assim era a casa dos pais de Catherine.Eram senhores bem abastados,que construíram seu patrimônio a duras penas.E toda essa opulência situava-se nos arredores da cidade.Não era necessariamente uma fazenda.Digamos que seria um sítio,porque cultivavam tudo que uma boa terra fértil permite.E naquele momento em que a garota adentrava a residência, o vento soprava sobre as cortinas e fazia um som que lembrava o barulho do mar em dia de tempestade.E de uma hora pra outra o tempo mudara, trazendo um redemoinho de poeira que insistia em aproximar da varanda da casa. De longe, a mãe, que estava a bordar um lençol em um dos aposentos da casa, gritou-a:
-Vai chover, Cathe! Feche todas as portas!
Mas não houve tempo.Catherine subiu as escadas que dava pros quartos e sua mãe só ouviu o barulho da porta batendo.De súbito, levantou-se da cadeira, derrubando todos os aviamentos de uma só vez.Não deu tempo de fechar a porta que dava pra entrada da casa.O vento veio com uma força tamanha que invadiu a sala, só parando quando, finalmente, a porta fora fechada.A mãe de Catherine passou o dedo sobre o criado-mudo, onde se podia escrever um ‘l’. Deu um suspiro e olhou em direção à escada. Parecia que pressentia tempestade,e das brabas.A filha estava com problemas...

E como se tivesse raios-X, conseguia ver lá em cima, no quarto de Catherine, uma menina em prantos. O nome, escolhido para homenagear a francesa Catherine Deneuve, de quem era fã desde a adolescência, quando se encantou pela interpretação da atriz no filme ‘A bela da tarde’, sempre fora suprimido para ‘Cathe’ , numa demonstração explícita do carinho que sentia pela filha. E assim foi subindo as escadas até chegar em frente a porta do quarto e chamar pela filha:
-Cathe, querida, o que houve?
Um silêncio tomou conta do lugar.A mãe insistiu mais um vez:
-Cathe, podemos conversar, filha?
Após silenciosos minutos, percebendo que nenhum barulho se fizera no quarto, desceu o primeiro degrau da escada, por saber que a filha preferia ficar sozinha.Porém, ouviu o trinco da porta barulhar. Deu meia volta e encontrou a menina parada, embaixo do portal, com um olhar distante e os olhos mareados.A mãe se aproximou e deu-lhe um abraço apertado, aqueles que fazem esquentar o coração.

Em seguida, dirigiram-se abraçadas até a cama, tendo a mãe perguntado sobre o que ocorrera.E, virando o corpo em direção à janela, começou a contar sobre o que afligia o seu coração.Era dor de amor, aquela que chega sem pedir licença e,como um vulcão em erupção, vai derramando sua lava por onde passa e causando um estrago sem precedentes.E assim foi discorrendo sobre os acontecimentos daquele dia, desde o momento em que fora convidada para tomar um sorvete até o beijo na testa que recebera do colega de escola ao ser deixada em frente casa, numa demonstração de amizade.E Catherine se sentiu rejeitada por aquele que seria seu primeiro grande amor.

Sem saber ela que seria o primeiro de uma série de decepções amorosas que encontraria ao longo da vida.É, porque não adianta, amor não se encontra somente uma vez. Encontra-se uma sucessão deles...

E ela só tinha 14 anos...

...



2 comentários:

Evandro disse...

hummm, amor, adorei o texto. descrevendo cada vez melhor...

te amo, beijos. saudades!

luiz disse...

realmente, também achei melhor que o primeiro, dava até pra começar um projeto maior em cima desse, não?

Keep Writin'
Beijos