sábado, 27 de março de 2010

Saturday night

e eu aqui em casa. Aproveitei que o Evandro viajou [para Vitória/ES] e resolvi pegar dois filmes para a noite de hoje. Fazia tempos que não locava nenhum dvd, mas hoje decidi que ficaria na companhia de Kate Winslet e demais artistas hollywoodianos... rs

Um dos filmes é O leitor, e o outro é um água com açúcar que não consegui decorar o nome [o disco está no quarto, não lembro o nome do bendito filme!]. Se eu me lembrar, posto aqui via update.

E por falar em filme, algumas situações deviam ser coisa de filme, né? Acaba a fita, acaba a ação. Mas não, não é. Esta semana a coisa ficou feia do lado de cá [da realidade]. O Brasil virou a câmera para o fórum de Santana, em São Paulo/SP. "Caso Isabella Nardoni". Meu Deus, que situação. Entre sensacionalismos e pessoas no mínimo malucas [ o que é aquilo de "viajei 48 horas para estar aqui neste julgamento..."???], percebi o quanto é difícil um recomeço triste. A justiça pode ter sido feita, mas as lembranças daquele dia triste sempre vão existir. A mente humana é uma engenhoca assustadora; ninguém sabe dizer como serão os nossos próximos capitulos. É, Guimarães Rosa foi muito sábio: viver realmente é muito perigoso.

Até.

Ange.

5 comentários:

Everton Amaro disse...

- Não há nada de monstruoso na mente humana. Existem pessoas que deixam a bagunça de lado e acaba acontecendo esse tipo de coisa. Mas temos sim, o controle de todo que nos ocorre. O importante é manter nosso quarto limpo, nossa casa sempre disposta a nos receber e a cama arrumada. Alguém que dorme com a conciência desperta para fatos bons, nunca irá acordar e cometer bizarrices infanticidas... Falam muito da causa do crime. Mas esquecem que o crime já havia ocorrido há muito tempo... Na certa, esse casal estava vivendo num lar de completa desordem. Coisas do tipo não ocorrem de uma hora pra outra. É inresponsabilidade dizer que isso é uma mera distorção da mente humana só porque temos o senso comum de que o homem é um ser imperfeito e sujeito as pressões da sociedade. É o mesmo coisa de amenizar a culpa de um caminhoneiro que dormiu ao volante. Por exemplo, se estou no trânsito, tenho que conduzir meu veículo da melhor forma possível, e nesse trajeto posso fazer de tudo para facilitar minha vida e do condutor ao lado. Se o cara não se importar em melhorar seu jeito de dirigir, uma hora ele vai bater e prejudicar o outro.

Alguém que não tem a capacidade de conduzir a própria deveria pensar duas vezes antes de querer de se casar e de querer ter um filho.

E o que se pensa, tá tudo errado... Um monte de gente deixando de cuidar da própria pra protestar. Vou dizer que isso é tão absurdo quanto o crime em si. Sempre que alguém pára para ver um acidente da rodovia, acaba ocorrendo merda.

Eles deviam estar preocupados com o que acontece dentro de casa E não com algo mostrado pela TV.

Guimarães Rosa estava equivocado.

Ange disse...

Bom, difícil dizer se concordo ou não contigo. Mas uma coisa é certa: não disse que a mente seja monstruosa, apenas me assusta...e muito! Claro que nada acontece por acaso, nada de ruim vem sem que antes tenha tido algo motivador. Uma coisa leva a outra, tanto do lado bom quanto do ruim. É fato.

Agora, eu creio que nada é tão linear quanto vc imagina. Não acredito também que tenhamos um poder tão grande de autocontrole. Se assim fosse, não morreriam tantas pessoas de câncer. Acredito piamente que há muito o que desvendar acerca da mente humana, o grande condutor de toda a nossa força corporal. Não adianta um coração batendo e uma mente atrofiada. Tudo para!

A mente nada mais é que a nossa personalidade; tudo está alí milimetricamente ordenado [ou desordenado, sei lá], compactado. Não tem como desassociar isso e dizer de forma tão simplória que se temos o controle de tudo. O que vc diria dos verdadeiramente loucos? Grandes fingidores? Fingem bem, não? Felicidade essa nossa, de sermos controlados, entendedores da ética, da moral...

Quando digo que Guimarães Rosa foi sábio quando escreveu essa frase na grande obra "Grande Sertão: Veredas", é porque vivemos numa linha tênue, entre a vida e a morte. Morte que não digo necessariamente a física, mas a psicológica também. Esse casal teve isso, uma morte em vida. Como vc disse, já devia ter sido uma família falida, com problemas psicológicos advindos sabe lá de onde. E nós [genericamente falando], espectadores daquela encenação toda, julgamos conforme o senso comum, de acordo com aquilo que vemos de imediato, sem dar um sentido profundo ao assunto. Somos palpiteiros na maioria do tempo.

Quando fiz o comentário, ligando a ficção à realidade, apenas pincelei de forma superficial, sem interesse em polemizar :)

Mas uma coisa concordo contigo: quem sai de casa para se inserir num contexto que não lhe diz respeito, pelo menos da forma como vimos, é no mínimo um desocupado. Há pessoas com bastante falta do que fazer e do que pensar racionalmente.

É isso.

Obrigada por fazer parte deste debate; obrigada por seguir este blog.

Everton Amaro disse...

- Você fala em mente como algo ligado ao corpo da mesma forma que a morte relacionada à vida: se não existir um, logo existirá o outro.

A morte não existe, é nisso que acredito. Nosso corpo não vai morrer porque ele também inexiste. Ele não é nem poeira cosmica perto do universo infinito.

- "Morremos" tanto porque somos incapazes de perceber a inexistência do corpo, logo a da doença...

Outro ponto é nos considerarmos seres peculiares, com personalidade própria, ao tempo que somos atraidos por esse tipo de epsódio por causa do inconciente coletivo.

- Eu não vivo numa linha tênue entre a vida e a morte, viver não é perigoso e não vejo nada de genial em descrever temores evidentes do ser humano. É o mesmo que dizer que o homem está numa linha tênue entre comer e respirar, andar e cagar, pensar e agir...

. disse...

Bom, pelas suas considerações, acredito que não chegaremos a um consenso. Esse seu ultimo comentário está na contramão total do que eu penso. Continuo acreditando que viver é sim perigoso, cujo bem ou mal não sabemos quando toparemos lá adiante.

Sobre Guimarães Rosa, eu ressaltei sua sabedoria, que não tem nada a ver com genialidade. São conceitos distintos. É isso.

Passageiro Anônimo disse...

Unicamente o Bem é força,
Unicamente o Bem é Vida,
Unicamente o Bem é realidade;
logo,
não existe Força que não seja Bem,
Não existe Vida que não seja Bem,
e também não existe Realidade que não seja Bem.
Força que não seja Bem, isto é, força que traz infelicidade, não passa de pesadelo.
Vida que não seja Bem, isto é, a doença, não passa de pesadelo.
Todas as desarmonias e imperfeições nada mais são que pesadelos.
Sendo o pesadelo aquilo que dá força ativa à infelicidade, à doença, à desarmonia, à imperfeição,
estas se assemelham às diabólicas opressões que, em sonho, podem nos fazer sofrer;
mas, ao despertarmos, percebemos que não existe força alguma para nos oprimir;
nós é que nos oprimimos com nossa própria mente.
Em verdade, as forças maléficas, a força que oprime a nossa vida,
a força que nos faz sofrer,
não são forças que existem de modo objetivo:
nada mais são que dores criadas em nossa própria mente e sofridas pela nossa própria mente.
Nas doutrinas que admitem Buda, chama-se a isto ilusão;
Nas doutrinas que admitem Deus, chama-no pecado.
Diz-se ilusão por não se conhecer verdadeiramente a perfeita e harmoniosa Imagem Verdadeira da Vida.
Diz-se pecado por se encobrir e não revelar a perfeita e harmoniosa Imagem Verdadeira da Vida.