quarta-feira, 23 de março de 2016

À minha porta

Faço tudo para esquecer.

Pois é. Faço, faço com força, mas... Tem dia que não dá. Daí, faço o inverso. Quero lembrar, quero chorar, quero sofrer.

Olho os detalhes e me perco em perguntas sem respostas.

Às vezes fecho os olhos e sonho. São sonhos frágeis, distantes e ao mesmo tempo tão próximos, que até parecem de verdade!

Quero esquecer. Talvez o tempo me responda daqui a algum tempo, daqui a alguns meses, anos, sei lá!

Talvez eu nunca esqueça.

A vida continua e se entregar é uma bobagem. Sei, sei disso, mas é difícil. Difícil conviver com a presença daquilo que não temos mais por perto. Paradoxal, não? Talvez, mas acho que não.

Alguns momentos permanecem, mesmo quando não mais existe a personificação de um amor que se foi.

Às vezes eu fujo, mas meu subterfúgio tem vieses, tem armadilhas. Um cheiro, uma roupa, uma caixa de vitaminas, um jeito diferente de apertar a minha mão... Tudo me lembra, tudo me abate e em seguida me mata, me mata de amor.

Amor... Como matar o amor? Muitas pauladas, mas ele continua vivo, batendo forte, pulsando alto no  peito, como se quisesse explodir e gritar.

São saudades infinitas.

São pensamentos que tomam forma e me agridem com dores no peito.

Mas no fundo, bem lá no fundo, não quero parar de sentir tudo isso, de sofrer por amor.

Pode não ser fácil, mas é a certeza de que jamais esquecerei dos abraços imaginários que dei, do carinho nos cabelos que imaginei.

Não é fácil, mas é preciso encarar a lerdeza do tempo. Sim, às vezes ele não passa; ele massacra.

Sei que preciso ficar bem. Sim, estou, mas tem dia que não dá. Tem dia que quero sentir, sentir como se o tempo estivesse parado. E sonho. São ciclos que não se fecham; são pensamentos que voam.

São dias de visita. E lá vem a saudade bater à minha porta.

E tudo recomeça...



Ange.











Um comentário:

Nanda disse...

Olá.

Nós não nos conhecemos, e eu não posso dizer que sei pelo que está passando. Não, eu não faço a menor ideia. Mas algo relativamente parecido aconteceu com uma amiga minha há pouco mais de 1 ano.

Ela descobriu que estava grávida quando adentrava o segundo mês, e foi a alegria da família, seria o segundo filho dela e era de alto risco. Houve alguns sangramentos, até que no dia 23 de dezembro, que era aniversário do pai da criança, ela perdeu.

Já passaram-se meses e ela não está mais com o rapaz, mas ela se lembra. A cada criança que passa na rua ou nos braços de alguém, milhares de fotos pela internet. Sempre dizem que não há dor maior que perder um filho, só que as pessoas se tornam pais antes do parto em si. O amor floresce junto com a esperança do nascimento.

Eu mesma nunca quis ter filhos, mas fiquei muito abalada quando recebi a notícia de que sou estéril.
Ou minha mãe que anterior ao meu nascimento teve uma gestação que não chegou ao fim.

Gostaria de dizer que sua dor vai passar logo, e eventualmente vai. Mas no seu coração sempre vai ter a saudade e o amor que floresceu em ti, e mesmo com todo o sofrimento que está passando agora, nada é mais forte que você... e de Evandro, que também não conheço, mas acompanhava/acompanho pelas postagens.

Desejo do fundo do meu coração que vocês encontrem paz e forças para seguir adiante. E mesmo distante, mesmo que por aqui, se precisar de alguém para conversar ou apenas para escutar/ler o que está sentindo, estou aqui.

Fica com Deus!